tavi

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

ANDROGINIA

Simples assim.
Acordou e não havia sequer uma carta de Adeus.
Ela se fora e levara com ela até as cartas de amor antigas. Até as canções.
Ele ficou horas e horas jogado na cama vazia, tentando imaginar o porquê.

Rastreou sua mente buscando por culpas, por falhas, e não as encontrou.
Lembrou cada palavra das ultimas conversas e não havia palavra torta. Os beijos tinham sido todos perfeitos. Os momentos, todos mágicos. Os toques, cada um deles intenso e avassalador.
Olhou também para os seus sentimentos por ela. Estavam todos ali, como sempre haviam estado. A única macula agora era a tristeza e essa dor aguda, no meio de tanto amor e desejo.
Ele estava perdido. Chorou e em seu choro perguntou-se se ela podia senti-lo. Se pudesse, ela saberia que há certas coisas que não se faz. Até um abandono é aceitável. É um direito de todo ser que ama deixar de amar. Mas abandono sem explicação é crueldade. E crueldade não é aceitável.
Ele então se convenceu de que tinha de fazê-la saber de seu sofrimento. E teve algumas boas idéias. Mas quando era hora de colocá-las em prática, algo o segurava. Ela sabe – ele pensava – Ela sabe e simplesmente não se importa.

Olhou no espelho. Odiou suas vestes de homem. Despiu-se. Odiou então o próprio membro. Odiou-se por ser homem e não saber. Se fosse mulher, pensou, certamente saberia o motivo do abandono. Com certeza a essa altura, algum ombro se dizendo amigo, revelaria comentários e desabafos antigos que explicariam o fato. Saberia ele porque havia sido condenado a tão dura pena. Seria digno, como são dignos os criminosos na prisão, a quem não se nega o direito de conhecer a acusação que pesa contra eles. Lembrou com certa inveja, de que mesmo aos assassinos se dá o direito de defesa, o direito de ter sua vida exposta e dissecada em julgamento. O direito de ver os lábios das testemunhas que os destroem moverem-se, e de impor que elas não digam nada até que façam um juramento. E nem aos que se encontram no corredor da morte, aguardando execução, é negado o direito das ultimas palavras. Já as dele, lhe foram negadas. Nada lhe foi perguntado. Nada foi considerado. A ele só couberam a condenação e o silencio.
Talvez fosse ainda pior. Talvez não houvesse um fato, uma desconfiança, um mal entendido. Talvez ela tivesse simplesmente se cansado dele, como cansam tantas vezes os amantes uns dos outros. E tivesse optado por evitar o transtorno de ter que explicar. Talvez não soubesse ela, ou não quisesse, lidar com a tristeza que causava.
Mais uma vez, ele chorou, agora frente à certeza de que nunca saberia o porquê.
Depois, derramou ainda algumas lágrimas que brindaram um passado de sentimentos tão fortes, de um amor inexplicável, de uma ligação incomum, de sonhos, tantos sonhos, que ela havia renegado, e que ele, deveria, com o tempo, aprender a renegar também.
Chorou a solidão. Só ela o completava.

Andou então até o retrato dela, abandonado na estante. Admirou mais uma vez seus traços doces. Correu os dedos, tocando-lhe a imagem dos cabelos. Deixou até que seus lábios tocassem os dela, estáticos e frios, protegidos pelo vidro. Desnudou-a dessa proteção. Pegou a foto, já sem moldura, nas mãos tremulas. Em um impulso violento, quis rasgá-la. Não pode: era ela!
Mas teve forças de agarrar um lápis oportuno que deitava na mesinha. E sob os lábios delicados, pintou-lhe um terrível bigode.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ULTRACOERENCIA!

Já sentiu, alguma vez, que as pessoas te cobram uma coerencia um tanto incoerente?
Já te pareceu que dependendo do que seja mais oportuno, uma pisada de pé vira um crime hediondo, ou é simplesmente ignorada por muita gente? Já sentiu que, no meio disso tudo, te cobram posturas opostas sobre assuntos que não te dizem respeito, e que, cada um espera de ti a postura que vá melhor de acordo com sua conveniencia? Já sentiu que, sobre algum assunto, não importa o que você diga, será crucificado por um grupo de pessoas, e que até se permanecer neutro ou indiferente, será acusado de alguma forma e pagará caro sua discrição? Então você também conhece bem o peso da "ULTRACOERENCIA" que nos é cada vez mais exigida nesse admirável mundo novo ....



Eu vinha andando com a sub x... Passou a sub y, e me cumprimentou:

- Tavi! Tudo bem?

- Tudo! E vc, como tá?

- To bem... Preciso ir... vamos ver se nos encontramos aí pelo mundinho virtual!

-Vamos sim! Até mais!

E seguimos andando. Mas notei que minha amiga olhava pra mim com olhos imensos e questionadores. Viro eu e pergunto a ela:

- Que foi? Tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
- EU é que te pergunto! Você cumprimentou a Y?????
- Ué!? Cumprimentei... você não viu?
- Ah, ver eu vi... Mas não pude acreditar... Você e ela... tão superamigas agora? Batendo papinho na rua... marcando encontro no MSN...
- x, eu não to superamiga dela... nem bati papinho... e que eu me lembre, eu nem marquei encontro.
-Ai! Como não! EU VI. Voces marcaram de conversar no MSN
- Não. Não marcamos de conversar. Ela foi gentil e comentou algo sobre nos vermos online.
- Ah, tá... comentou... e vc foi logo dando corda!
- Dando corda? Peraí, x, eu só concordei... não marquei nada especifico. Que tem isso de mais?
- Nada...Você sabe o que faz.
-Sim. Eu sei
-Tá bom...
-Tá.

(Silêncio Mortal...)

- Tavi, eu não acredito que vc a cumprimentou!
- Ai, meu Deus! Por que? Que tem cumprimentá-la?
- Ai, tavi! Você não sabe que a sub C terminou com o Dom H por causa dela? Parece que ela marcou sessão com o Dom H, mas a sub c não gostou nada disso...
- x, eu não conheço a sub c.
- O ponto não é esse. Todo mundo sabe o que a Y fez. E vc sai agora combinando coisas com ela, defendendo uma pessoa que fez uma coisa absurda. Primeiro que não fica bem.
- x, to pouco me lixando se não fica bem. Já te disse que eu não viro a cara pra ninguém sem motivo.
- Ai, tavi, vc não ouviu o que eu falei? Ela foi culpada pela sub C ter devolvido a coleira! Isso não é motivo? Então disso eu devo inferir que se o meu Dono marcar encontro com alguma sub que eu não goste e por isso eu tiver que devolver minha coleira, no dia seguinte vc vai estar por aí de papinho com a vagabunda da sub que causou todo esse mal pra mim. Grande amiga vc, hein! Amiga da onça!
- x, pelo amor! Se alguém DE FATO, INTENCIONALMENTE te fizer mal, eu vou ficar muito puta da vida... Se bem que essa historinha aí que vc citou é um absurdo... Se vc é sub e teu Dono já te disse que vai fazer cena com quem quiser, eu não vou virar a cara pra ninguém só porque fez cena com ele. Esse é o acordo de vcs.
- Tá... eu já entendi!
- Entendeu o que?
- Voce está falando isso pra defender a Y.
- x, não tem nada a ver com a Y... eu num to defendendo ninguém. Não sei da vida da Y. Pelo pouco que eu ouvi agora não dá pra saber se o que ela fez foi certo ou errado, tá legal?
- ai, tavi. Viu como vc está sendo incoerente!
- Incoerente? Como assim, x, tá doida?
- É uma coisa lógica, tavi... Vc acabou de dizer que não põe a mão no fogo pela Y, mas há cinco minutos estava não só cumprimentando a Y, mas também marcando encontrinhos com ela no MSN. Isso é falsidade!
- Que falsidade, x? Eu não disse que detesto a Y, nem que ela tenha feito algo absurdo, nem nada. Eu só disse que eu não sei da vida dela. Não conheço os fatos, nunca conversei com ela a respeito da sub C ou do Dom H (que alias, eu nem conheço!).
- Bom, eu sempre vou achar uma incoerência vc estar tão ligada com uma pessoa por quem você mesma diz que não põe a mão no fogo.
- x, eu não ponho a mão no fogo por ninguém que eu não conheça intimamente, por anos. Se eu parar de cumprimentar todo mundo que eu não conheço completamente a ponto de assinar embaixo que são ótimas pessoas incapazes de fazer mal a uma mosca, eu teria, por coerência, que parar de cumprimentar muita gente, mas muita gente mesmo!
- Sei... vc está dizendo que odeia seus amigos?
- Não... Não... Não, x. Eu to dizendo que conhecer alguém leva tempo. Confiar, leva mais tempo ainda. Mas o processo é válido. A vida não é tão branco no preto assim. Tem milhares de outros tons... Tem gente que hoje eu conheço pouco, e ainda não confio, mas vou, se vc me permitir, continuar cumprimentando, e assim, pode ser que um dia, essa pessoa se torne um amigo de confiança, por quem eu ponho a mão no fogo sem medo nenhum. Tudo isso leva tempo!
- Pois eu acho que não tem o mínimo sentido você cumprimentar e ficar de conversinha com alguém em quem vc mesma diz que ainda não confia completamente.... tavi? Tavi, pra onde vc tá indo?
- Embora, x.
- Mas por que?
- Por coerência!

=)

sábado, 19 de setembro de 2009

SEX SEX SEX

De todo o jeito.. De cada forma...
O proibido e o convencional...
Com oléos de massagem... com morango... com mordaça... Com gotas de cera quente
Ou cowboy... só nudez e gozo....
Sexo bom... sexo gostoso

Sexo corrido... rapidinhas em lugares estranhos e frios...
Na cama, com mil lençois que voam
No carro, batendo o joelho no cambio
Em camera lenta... Em alta velocidade!

Sexo Falado, gemido, baixinho ou gritado
Estupro Consensual... ou com roupa de colegial...
Heterosexual.... Gay... Transgressor da Moral

Na spotlight, sem vergonha nenhuma
Sexo em publico... Sexo no escuro... Sexo Secreto
D/s... SM... Ouvindo meu nome, ou o nome de outra qualquer...

Sexo chorado... que dói e desespera...

De frente... de trás... "meio sexo" em língua voraz.

Sexo interrompido.... sexo não concretizado...
huumm... Sexo Sonhado!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A MASOCA NÃO ESTAVA

A noite era linda e quente, e muitas estrelas estavam presentes, mas a masoca não estava.
Houve frustrações e desentendimentos. Eu ouvi coisas que não queria ouvir e disse coisas que não queria dizer.

Ele estava lá e me deu colo quando precisei. Eu devo ter sorrido um pouco mais do que eu podia sorrir. E mesmo sorrindo, eu sabia que não estava bem. Eu sabia. Mais ninguém.

A noite seguiu seu curso. Vieram as vontades de sempre. Quando ele ria, era o riso sádico que eu conheço tão bem. E seu olhar era um aviso e uma promessa de que aquela noite não terminaria sem que se ouvisse o som dos chicotes. Ele estava inteiro, e forte. E eu parecia inteira e forte.

- Vai ter cena hoje? – alguém perguntou – Queria ver a tavi apanhar.

Essas frases, em qualquer outra noite teriam sido pra mim grande incentivo. Aquela noite, elas pareciam cruéis. Era tudo tão estranho. Tudo tão tenso e melodramático... E eu me vi frágil. Eu não gosto muito de me ver assim.
-Vai ter cena, Dono?

Ele acenou que sim.

Eu devia ter dito que não estava bem, mas fiquei olhando ele mexendo nos chicotes... Vi nele sadismo e desejo. Se eu dissesse que não estava bem e ele desistisse, eu teria raiva de mim mesma. Se eu dissesse que não estava bem e ele ignorasse, eu nem sei como me sentirua. Achei que fosse melhor não dizer nada. Tantas coisas já me entristeciam... eu não podia correr o risco de ter que lidar com uma avalanche de duvidas quanto a minha submissão naquela noite. Era mais fácil aceitar. E naquele momento eu precisava que tudo fosse o mais fácil possível. Me preparei e andei para o X, afinal, depois de uns cinco minutos sentindo os golpes, eu provavelmente me deixaria levar pelo prazer. Eu ficaria bem. Eu sairia de lá me sentindo tranqüila e anestesiada.

Mas os golpes vieram fortes e o prazer parecia ter se atrasado. Eu não sentia como eu costumo sentir. A dor não se sublimava, não me entorpecia, não causava nenhum dos seus efeitos mágicos sob mim. A dor era pura e cruel. Eu me sentia derrotada por um simples flogger. Era ultrajante! Eu sentia vergonha ... e medo de sentir mais vergonha.

Por duas vezes ele perguntou se eu estava bem, e por duas vezes eu menti.
Ele continuou e repentinamente, parei de sentir dor. Mas eu ainda sofria. Pela primeira vez parece que todos os meus pequenos problemas da semana, as dificuldades e desentendimentos daquela noite, a minha autocrítica e o meu perfeccionismo, tudo que me tirava o sono, me encontrou, no X. Isso nunca acontecia. Era como se eles tivessem descoberto meu esconderijo secreto, onde eu tinha paz...sempre... sempre... E a dor voltou nua... completamente nua.

Eu sempre soube que tem dias em que, por mais masoquista que seja uma pessoa, ela simplesmente não está bem e não vai receber a dor da mesma forma. Eu sabia, mas nunca antes havia estado em uma cena pesada numa dessas ocasiões. É importante uma sub dizer ao Dono como se sente, quando ele pergunta. Eu sempre soube. Mas eu simplesmente não consegui. Mais que isso. Eu menti. E menti muito bem.
Os golpes continuaram... A explosão de sentimentos que eles me traziam é difícil descrever. Havia prazer, sim. Mas também havia ansiedade, tensão e choro sentido. Eu não conseguia me concentrar. Pensava em coisas que nada tinham a ver com o momento. Eu não estava inteira ali.
Então veio o sangue... eu o sentia escorrer . Eu me sentia um pouco melhor. E a arrogância masoquista deu as caras por uns segundos... E u o desafiei... Um pouco porque achei que ele teria pena de mim, ou que já estivesse cansado pra continuar... Eu blefei. Eu fiz pouco caso da dor. Eu o desafiei.

Ele optou então por fazer uso do único de seus chicotes que eu, mesmo sendo orgulhosa como sou, seria capaz de implorar de joelhos pra ele nunca usar em mim.
Eu o vi pegar o chicote mais odioso do mundo no meu ponto de vista.
Eu não acreditava que ele faria isso.

Foram poucos golpes, mas certeiros e educativos ...e me passaram boas mensagens.

A masoca não estava. A submissa apanhou pela primeira vez nessa relação.

Apanhar por submissão não é fácil, e na hora, nem é tão gostoso... mas depois... depois de um tempo, a sensação de ter sido usada para o prazer sádico de um homem é simplesmente deliciosa.............................






Maaaasssssssssssssssssssss... da próxima vez que eu estiver assim, Dono, pode ter certeza de que eu vou te contar...rs... ou não? Ai... eu vou... eu vou...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Mensagem do Espelho

E foi o espelho que me disse:

Acorda, tavi, que é dia, que nem só de noite se pode viver.

Lá no escritório, não tem X, mas ele é lindo mesmo assim. Lindo na sua exatidão. Na sua realidade. Lindo no mundo comum, das coisas comumente lindas da praticidade.

O dinheiro não brilha como roupa de vinil, mas é necessário, talvez mais ainda do que elas.

Em um jantar em família não se discute submissão, mas os parentes não escrevem *OFF* na porta de suas casas, nem passam temporadas afastados, nem repensam sua posição no meio familiar.

Acorda, tavi, que você não é comum, mas é normal. E é normal que as coisas comuns também te afetem. Acorda, tavi que viver só do que se gosta é uma conquista, que todo mundo faz muito do que não gosta pra poder, um dia, fazer só o que gosta e o que dá prazer.

Acorda que o teu sonho é teu e de mais ninguém. Que se você se esquecer dele, ninguém o conhece pra te lembrar. Ninguem vai te parar pra perguntar: Ei, tavi, e o teu sonho? Onde é que ele ficou, no meio desse labirinto?

As vezes sinto que olhando as pessoas que passam, fiquei só eu, sentada em uma calçada, e aqui já não passa mais ninguém.
Me sinto vivendo em um trem... olhando da janela a paisagem vazia na qual falto eu. Eu... correndo atrás das coisas que eu quero pra mim... Plantando as minhas rosas, no meu próprio jardim.

Acorda, tavi, que é tempo de olhar pra dentro. Hora de pedir conselho, ao invés de dar.

Acorda, tavi, que ainda não há o suficiente pra colher. Nem é hora de regar. Hoje é dia de plantar.

=)

"Durante muitos anos esperamos encontrar alguém que nos compreenda, alguém que nos aceite como somos, capaz de nos oferecer felicidade apesar das duras provas. Apenas ontem descobri que esse mágico alguém é o rosto que vemos no espelho..."
(Techo do Livro: Fugindo do Ninho - Richard Bach)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

DOM SECRETO, sub discreta...

A sensação do momento nos perfis agora é essa:
Tenho Dono. Faço um poema pra ele. Relato a ultima sessão, mas em nenhum momento, digo quem ele é!
Uso meu nome entre chaves, seguidas de misteriosos três pontinhos...
Quem será meu Dono??
TAN TAN TAN TAN
O DOM SECRETO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Ou esse cara tem muita sub mesmo ou o número de Dominadores que não desejam revelar seu nick tem aumentado. Me pergunto o por que disso...

Já me responderam que é uma questão de fetiche mesmo, de gostar do mistério, de ter tesão no segredo. Nesse caso, nada a declarar. Eu que acho até scat aceitável, quando é um fetiche dos envolvidos, que não vou dizer nada contra o prazer do mistério. Mas me parece que em 99,99999% dos casos, a história não é bem essa.
Tambem acho natural que se mantenha o começo de um relacionamento SM de forma discreta. Nesse momento em que nem Dom e sub sabem se querem mesmo investir na relação, é perfeitamente lógico que não se revele o Nick dos talvez futuros Dom e sub.

Eu me mordo é por aquela amiga que teria total orgulho em portar uma coleira do DOM X, aquela que entrou numa D/s, aceitando que era “muito cedo” pra revelar o Nick de seu amado Dono. Que viu os meses passarem e nada mudar a esse respeito, que engoliu as desculpas mais esfarrapadas de um homenzinho atrapalhado, incapaz de entregar o que vendeu.
É lógico que cada caso é um caso. Me cansa apenas ter que fingir que acredito que um Dom que se preze esteja escondendo os seus relacionamentos para “proteger” a sub! Proteger de que, meu Deus?!
A história que eu conto pra vcs, eu tenho certeza que vcs já ouviram ou leram... com outros Nicks, nas janelas dos MSNs da vida... Vamos dar uma espiada no MSN do Dom Secreto? rs

Dom Secreto: Olá, minha cadela!
Sub Discreta: Dono! Que saudades! O Senhor sumiu semana passada!
Dom Secreto: Ah, sim. É que eu estive muito ocupado no escritório durante a semana. E Sábado, bem no Sábado, tive a infelicidade de perder meu celular. Pra piorar, no mesmo dia, meu computador pifou de vez. Fiquei inacessível.
Sub Discreta: sim, Senhor. Entendo. Que pena! E sei como é... da sua casa o Senhor não tem como ligar....
Dom secreto: É. Minha mãe ainda está muito doente. Uma conversa no telefone pode fazer muito barulho pra ela. É complicado...
Sub Discreta: Mas tudo bem. Torcendo pra ela melhorar logo, Dono!
Dom Secreto: Sim, cadelinha. Mas o importante é que agora vc está aqui pra me compensar por tudo isso.
Sub Discreta: Senhor, tem uma coisa que eu queria te perguntar... Já estamos juntos há 4 meses. Será que eu posso contar pra minha melhor amiga quem é o Senhor? É que ela vive querendo saber. Ela não vai contar pra ninguém. Eu sei que ainda não é hora, que as pessoas fazem fofoca e que a fofoca, como o Senhor sempre diz, é um perigo! Mas só pra ela eu posso contar? Posso????????
Dom Secreto: Hummm... vc confia nela? Ela não vai contar pra ninguém?
Sub Discreta: Não Senhor! Jamais!
Dom Secreto: Bom... se ela não vai contar pra ninguém... então pode! Quem é ela?
Sub Discreta:Oba! É a sub caladinha.
Dom Secreto: Ah não! Então não pode não!
Sub Discreta: Mas por que, Senhor?
Dom Secreto: Ora, mas por que? Porque... sei lá por que! Olha, ela vai contar pra todo mundo. E ainda não é hora. Esse povo num merece saber. O que nós temos é algo muito especial. Quando chegar a hora certa, todos vão saber...
Sub Discreta: Sim, Senhor. Eu não quero que sintam inveja de nós dois. O Senhor é muito especial. Hoje em dia a coisa mais rara do mundo é um Dom que dá exclusividade. E o Senhor dá. Isso é maravilhoso. Mas, Senhor, lembra que tinha me dito que com o tempo a gente ia poder contar... quando já estivéssemos mais unidos, mais fortes juntos. Eu acho que esse momento chegou.
Dom Secreto: Ah... pode ser minha cadela. Mas é que eu não quero que você fique falada no meio.
Sub Discreta: Falada? Por ter Dono?
Dom Secreto: Ah, sim... as pessoas falam de tudo... se não tem Dono é puta porque não tem Dono. Se tem, é puta porque tem. O BDSM está cada vez pior.
Sub Discreta: É que, Dono... eu tenho um sonho. Eu queria muito um dia ir com o Senhor no Dominna.
Dom Secreto: Ah, cadelinha! Nem pensar! Cena publica não combina com a gente. Não temos que provar nada pra ninguém.
Sub Discreta: Mas Dono... todas as minhas amigas vão.
Dom Secreto: Isso não é verdade! A sub caladinha jamais pos os pés naquele lugar!
Sub Discreta: sim, mas só porque ela esta servindo a um Dom que não deixa ela ir.
Dom Secreto: Sim. E ele faz muito bem! A propósito, ela já te contou qual é o Nick do Dono dela?
Sub Discreta: Ainda não, Senhor. Ele a está protegendo das fofocas!
Dom Secreto: Ah! Pois muito bem... eu ia deixar vc contar pra ela o meu Nick, cadelinha. Mas agora não vou mais. É a lei da reciprocidade. Se ela não conta, vc não conta também! E assunto encerrado! Agora vou dormir. Quarta feira a tarde quero você me esperando. Teremos duas horas inteirinhas pra matar as saudades.
Sub Discreta: Sim, Senhor. Obrigada por pensar tanto em mim!

Enquanto isso, numa janela paralela do MSN de Dom Secreto.

Sub Caladinha: Ai, Dono de mim! Adorei o fim de semana! O Senhor é tão bom pra mim... Posso contar quem é o Senhor pra minha melhor amiga, a sub discreta?
=)

domingo, 19 de julho de 2009

Complexo de Complexidade...


Tenho um amigo que costuma dizer que cada pessoa tem um número limitado de assuntos que se revezam em seu discurso. E cada um, em cada conversa que tem, acaba sempre dando um jeito de levar as discussões para essas suas questões eleitas. No meu discurso e em meu pensamento, com freqüência está o tema das contradições humanas. Esse tipo de análise me fascina, e de uma forma ou outra, acabo sempre observando e ressaltando esse aspecto nos seres.

Outro dia reparei que dois dos meus autores favoritos, homens célebres e respeitados, também tinham suas contradições.
Diz a lenda que as ultimas palavras de Álvares de Azevedo foram: “Que lástima!”. Também é dito por estudiosos da vida de Machado de Assis, que ele morreu de tristeza, incapaz de lidar com a morte da esposa, Carolina.

Álvares e Machado. Um grande Romantico e um grande Realista, respectivamente. Sim, é verdade que Machado de Assis teve um pezinho no Romantismo, mas quem o ama como eu amo, e conhece um pouco mais a fundo sua obra, tem que concordar que ao render-se ao Realismo é que ele passou a escrever com a propriedade de quem acredita no que defende. E Álvares, o poeta da morte, do sombrio, fascinado por termos e enredos fúnebres, é indiscutivelmente um ótimo representante do movimento Romantico.
Sendo assim, me parece muito curioso o fato de que ao ver-se finalmente face a tão idolatrada morte, Álvares tenha se lamentado. Mais curioso ainda me parece o fato de Machado, desertor do Romantismo e Realista até o último fio de cabelo grisalho, tenha “morrido de amor”.

Concluo disso então: Contradição, se é bom pra eles, é bom pra mim!

E fico mais em paz sabendo que estou em tão boa companhia, quando me vejo perdida, pintando pontos de interrogação e desconfiando de textos por mim mesma escritos. Torço o nariz, muitas vezes, pra minhas próprias certezas (certezas?). Revejo e ponho em xeque, muitas de minhas próprias convicções (seriam elas então convicções?).

Só tenho relutância em ferir os meus princípios. Esses eu luto pra manter intactos. Esses permanecem, mesmo quando a ideologia na qual creio enfraquece em mim (obra da vida). Pois meus princípios não são construídos com base na ideologia que sigo. O que ocorre é o contrario. São meus princípios que me mostram no que me faz sentido acreditar, e no que me é impossível aceitar. Mas pequenas contradições, eu me permito. E ainda ouso dizer que é impossivel a qualquer pessoa com um mínimo de complexidade, fugir a longo prazo de cair em pequenas contradições. Eu me gosto assim, complexa. Não me importo de pegar atalhos inusitados, nem em vez por outra, sair do meu “normal” e surpreender. Vejo isso como um passo importante no nosso processo de aprendizado. As vezes sou criticada por isso, mas nem as críticas tem poder de tirar de mim o prazer de repensar, reconsiderar e de mudar de idéia cada vez que eu tiver bases sólidas pra crer que eu estava errada. Acaba que eu também escolho meus amigos dando preferência a pessoas complexas, cheias de vida e de magia, pessoas que anseiam por transformação e aprendizado, pessoas grandes demais pra se resumir numa verdade sem suaves incoerencias. E essas são capazes de entender, ou ao menos, tolerar os meus repentes. Afinal, pra elas também, o mundo é cheio de nuances. Não há nada mais enfadonho do que viver em um mundo que seja sempre tão preto no branco.
=)